Estávamos em 1984 e eu estreava-me na rádio, a convite de Henrique Mendes e Rui Pego, para animar a onda-média da Rádio Renascença entre a meia-noite e as duas da madrugada de todos os dias. O programa chamava-se “Sessão da Meia-Noite”. Para mim, foi sol de pouca dura: ao fim de três meses, a aventura terminou. Mas a rádio nunca mais me abandonou, nem eu a ela...
Encontrei este recibo de “vencimento”, do tempo do escudo, do Imposto Profissional, e antes de nascer o recibo verde...
Para se ter um termo de comparação, 25 mil escudos – 25 contos... – era, à época, o valor médio de uma renda de casa em Lisboa...
Nem sei se aprendi a ler na 1ª Classe pelo livro de onde esta página foi tirada, mas serve o post para remeter quem gosta de momentos de nostalgia pura para um blog notável: Santa Nostalgia. Sou cliente quase diário...
Esta semana, em casa da minha mãe, eu e a minha irmã tropeçámos numa colecção de revistas “Tele-Semana”, publicação criada pelo meu pai, debaixo do universo RTP/Movierecord, com o objectivo de promover os programas da RTP, nos anos 70, e dotar Portugal de uma revista de televisão como os países “civilizados” tinham (Tele 7 Jours, TV Guide, etc). Ainda nos rimos com algumas capas e temas, de 1975 (imagine-se...), e depois quase discutíamos sobre as virtudes de guardar aquelas colecções de papel. Eu sou pela limpeza, a minha irmã defende a manutenção, em nome da memória. Não vou discutir o tema – mas gostei de googlar o nome da revista na net e encontrar logo uma capa do pós-25 de Abril...
Quando eu comecei a andar sozinho de autocarro, em 1971, eram estes ainda. Tenho saudades. A minha irmã e as suas amigas diziam sempre "vamos para o primeiro andar, que cá em baixo cheira a gente"... E deviam ter razão.
Depois de falar de um "make up apropriado", das sobrancelhas, das pestanas, dos "lábios bem pintados", tudo para "realçar a sua beleza natural", "tornando-se ainda mais atractiva", o anuncio esclarece: "Mas a sedutora imagem que a sua presença sugere foi, sem súvida, altamente valorizada por um pormenor de excepcional importancia: o cigarro que você fuma"...
E o cigarro era Tamariz. Em 1969, ou seja, há pouco mais de 40 anos, era assim que se falava a promovia o tabaco...
Tenho uma teoria: Portugal nunca deixou de viver em crise, excepto nos momentos de transição entre crises, infelizmente curtos. A capa da quarta edição de malograda revista "Factos" ajuda-me: em 1997, o tema forte era a divida. Famílias endividadas. "Crise a conta gotas", segundo Maria de Belém. Portugal era assim. Do que me lembro, sempre foi. A "Factos", apesar de dirigida por Dinis de Abreu e ter colunistas como Agustina Bessa-Luis, Helena Vaz da Silva, Miguel Beleza e Vital Moreira, morreu sem história ao fim de pouco tempo. Custava 400 escudos, ou seja, dois euros...
Hoje, obviamente, a capa do disco que marca a obra de Josè Niza.
Os nomes envolvidos "dimensionam" a obra.
Nada mais a dizer...
Desde o primeiro dia que eu e o João Gobern assumimos com orgulho a efectiva “autoria” do nome do programa que fazemos na Antena 1: é do nosso amigo e eterno director Cáceres Monteiro, e foi também a forma de homenagearmos a sua memória e sublinharmos a nossa admiração por ele.
Fomos buscar o nome ao seu ultimo livro de reportagens e viagens pelo mundo, lançado em 2004. Aqui há dias, nas remexidelas do costume em papelada antiga, tropecei nesta página de revista.
Tive saudades do Cáceres. E decidi deixar aqui parte dessa reportagem da TV Mais de Julho de 2004. Há sete anos.
Encontrei esta primeira página de O Independente (não é demais lembrar: director, Miguel Esteves Cardoso; director-adjunto, Paulo Portas: subdirector, Manuel Falcão), de Julho de 1988, e achei piada à conjugação dos dois títulos principais: espiões em Portugal e os problemas que dão, e privatizações à vista e a palavra, ou falta dela, dos empresários. Pronto, foi há 23 anos, mas a vida é mesmo assim...
By the way, o jornal custava 125 escudos, ou seja, mais ou menos 75 cêntimos.
Eu trabalhava em O Independente e ganhava 600 euros por mês – mais ou menos o que hoje ganha, na devida proporção, um assessor de ministro...