Esta semana, em casa da minha mãe, eu e a minha irmã tropeçámos numa colecção de revistas “Tele-Semana”, publicação criada pelo meu pai, debaixo do universo RTP/Movierecord, com o objectivo de promover os programas da RTP, nos anos 70, e dotar Portugal de uma revista de televisão como os países “civilizados” tinham (Tele 7 Jours, TV Guide, etc). Ainda nos rimos com algumas capas e temas, de 1975 (imagine-se...), e depois quase discutíamos sobre as virtudes de guardar aquelas colecções de papel. Eu sou pela limpeza, a minha irmã defende a manutenção, em nome da memória. Não vou discutir o tema – mas gostei de googlar o nome da revista na net e encontrar logo uma capa do pós-25 de Abril...
Quando eu comecei a andar sozinho de autocarro, em 1971, eram estes ainda. Tenho saudades. A minha irmã e as suas amigas diziam sempre "vamos para o primeiro andar, que cá em baixo cheira a gente"... E deviam ter razão.
Depois de falar de um "make up apropriado", das sobrancelhas, das pestanas, dos "lábios bem pintados", tudo para "realçar a sua beleza natural", "tornando-se ainda mais atractiva", o anuncio esclarece: "Mas a sedutora imagem que a sua presença sugere foi, sem súvida, altamente valorizada por um pormenor de excepcional importancia: o cigarro que você fuma"...
E o cigarro era Tamariz. Em 1969, ou seja, há pouco mais de 40 anos, era assim que se falava a promovia o tabaco...
Tenho uma teoria: Portugal nunca deixou de viver em crise, excepto nos momentos de transição entre crises, infelizmente curtos. A capa da quarta edição de malograda revista "Factos" ajuda-me: em 1997, o tema forte era a divida. Famílias endividadas. "Crise a conta gotas", segundo Maria de Belém. Portugal era assim. Do que me lembro, sempre foi. A "Factos", apesar de dirigida por Dinis de Abreu e ter colunistas como Agustina Bessa-Luis, Helena Vaz da Silva, Miguel Beleza e Vital Moreira, morreu sem história ao fim de pouco tempo. Custava 400 escudos, ou seja, dois euros...
Hoje, obviamente, a capa do disco que marca a obra de Josè Niza.
Os nomes envolvidos "dimensionam" a obra.
Nada mais a dizer...
Desde o primeiro dia que eu e o João Gobern assumimos com orgulho a efectiva “autoria” do nome do programa que fazemos na Antena 1: é do nosso amigo e eterno director Cáceres Monteiro, e foi também a forma de homenagearmos a sua memória e sublinharmos a nossa admiração por ele.
Fomos buscar o nome ao seu ultimo livro de reportagens e viagens pelo mundo, lançado em 2004. Aqui há dias, nas remexidelas do costume em papelada antiga, tropecei nesta página de revista.
Tive saudades do Cáceres. E decidi deixar aqui parte dessa reportagem da TV Mais de Julho de 2004. Há sete anos.
Encontrei esta primeira página de O Independente (não é demais lembrar: director, Miguel Esteves Cardoso; director-adjunto, Paulo Portas: subdirector, Manuel Falcão), de Julho de 1988, e achei piada à conjugação dos dois títulos principais: espiões em Portugal e os problemas que dão, e privatizações à vista e a palavra, ou falta dela, dos empresários. Pronto, foi há 23 anos, mas a vida é mesmo assim...
By the way, o jornal custava 125 escudos, ou seja, mais ou menos 75 cêntimos.
Eu trabalhava em O Independente e ganhava 600 euros por mês – mais ou menos o que hoje ganha, na devida proporção, um assessor de ministro...
Da esquerda para a direita: a minha irmã Fátima, o meu cunhado José, a minha mãe, o meu pai, a Aninhas (de costas, a olhar para o mar). Praia Grande, um Verão de antes de 1987, eu diria algures entre 1980 e 1982. A fotografia é tirada por mim, que à época tinha a mania da fotografia...
Mas a ideia desta memória, para lá da família, é recordar a mulher que à direita explica ao meu pai os mistérios do tempo, de como pode estar frio em Sintra quando em Lisboa escalda, e todo o fenómeno do microclima do Penedo e arredores. A mulher era a mais que famosa Dona Luísa, a rainha da bola de Berlim, mais tarde (depois de se reformar) abafada pelo “Lá Vou Eu” – que, faça-se justiça, mais não era do que um seguidor sem graça da técnica da Dona Luísa, que fazia das bolas da Praia Grande as mais saborosas de todo o Portugal. Dito por mim, que nunca comi bolas noutro lugar.
Mas agora que é Verão, convém deixar escrito.
Se a memória não me falha, este terá sido o ultimo jantar que reuniu a "familia K", organizado pelo Bébé (Fernando Ribeiro da Cruz) a pedido do Miguel (Esteves Cardoso). Estaríamos em Junho de 1993 ou 94, e teria sido descoberto o reduto da melhor sardinha lisboeta, algures entre Benfica e Alfragide. Linda-a-Velha, nem sei bem. Lá fomos. A sardinha não era má, mas claramente a expectativa foi exagerada. Na fotografia não estamos todos, mas enfim...
(... E depois veio a Carla Hilário Quevedo, Bomba Inteligente, que está ali a espreitar ao meu lado, e repõe a verdade dos factos: ainda que esteja ali parte do grupo da K, o jantarete é bem mais recente - talvez no ano 2000... É o que dá ter a memória de uma galinha!!!)
Com ou sem Sócrates, em crise ou fora dela, José Cid entrou naquela prateleira da unanimidade - porque dele se gosta ou porque é kitsch, tanto faz... -, e não há semana em que não apareça em qualquer lado. Ainda hoje estava a ver uma revista e lá estava ele numa iniciativa promovida pela Caras. Lembrei-me desta foto de 1973 (há 37 anos, portanto...), na capa da Flama, ainda sem os óculos escuros...